Petróleo. Trump vai pressionar Zelensky na ONU

Petróleo. Trump vai pressionar Zelensky na ONU

O presidente dos Estados Unidos da América quer um cessar-fogo no setor energético na guerra da Ucrânia. Numa altura em que os preços médios do gasóleo nos Estados Unidos atingiram na segunda-feira um recorde. A subida dos preços é um fator negativo para o Partido Republicano nas eleições intercalares nos EUA que se realizam em novembro.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
REUTERS arquivo

Donald Trump vai reunir-se com o homólogo ucraniano em Nova Iorque, num raro encontro à margem da semana de alto nível da Assembleia-geral das Nações Unidas.

Na agenda deste encontro está a trégua energética, uma vez que os preços globais do petróleo dispararam devido à guerra no Irão, bem como à guerra da Rússia na Ucrânia.

Trump vai discursar na Assembleia Geral da ONU e vai reunir-se com grandes produtores de energia, incluindo o Conselho de Cooperação do Golfo e a líder recém-empossada da Venezuela, Delcy Rodriguez. Esta semana também estará em Washington o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov. Ele deverá reunir-se com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
No domingo, Trump falou com Zelenskyy ao telefone sobre “petróleo, petróleo, petróleo”, contou ao jornal Finantial Times uma fonte da presidência ucraniana.

Também Zelensky afirmou na segunda-feira que as negociações continuam e que há “ideias em cima da mesa para aproximar a paz, começando com medidas firmes de desanuviamento”.

“O setor energético da Ucrânia, as infraestruturas críticas e as nossas exportações de alimentos devem deixar de ser alvos da Rússia, isso levará a medidas recíprocas de desanuviamento da nossa parte”, referiu o presidente ucraniano em comunicado. “As soluções são possíveis.”
Nesse mesmo dia, o presidente norte-americano apontou o sofrimento do mundo inteiro com a escassez de energia

Uma situação que, segundo Trump, está a ser agravada pela guerra na Ucrânia. "Infelizmente, a Rússia perdeu o controlo da sua indústria petrolífera devido à guerra com a Ucrânia", escreveu Trump numa publicação na rede social Truth Social"Um grande número das suas refinarias de gasóleo foi destruído e está, pelo menos temporariamente, fora de funcionamento", recordou.
Antes, Trump tinha culpado Kiev pela escalada da guerra energética, mesmo com a Rússia a devastar a economia ucraniana e a lançar ataques noturnos com drones e mísseis balísticos contra cidades da Ucrânia.

No último fim de semana, Kiev respondeu com o maior ataque registado até à data contra a região de Moscovo. Nesta ofensiva foi atingida uma importante refinaria de petróleo da capital russa e três pessoas morreram.
Na semana passada, o presidente dos EUA anunciou uma trégua no setor energético, segundo a qual a Ucrânia terá concordado em não atacar alvos energéticos russos e a "Rússia concordou em fazer o mesmo!".

No entanto, o acordo não tinha sido assinado, e os ataques russos contra as infraestruturas energéticas e outras instalações críticas da Ucrânia continuaram.

Os preços médios do petróleo nos Estados Unidos atingiram na segunda-feira um valor recorde, mais do dobro do registado nesta mesma altura no ano passado. 

Ou seja, antes de os EUA e Israel lançarem ataques conjuntos contra o Irão e de Teerão terem respondido com o encerramento do Estreito de Ormuz à maior parte do comércio internacional.

Esta subida dos preços do petróleo é uma sombra que ameaça os resultados do Partido Republicano nas eleições intercalares nos EUA, que se realizam em novembro.
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